História
A 31 de maio de 1956, ao festejar seu 106º aniversário, a cidade ganhava um régio presente destinado a enriquecer grandiosamente a cultura e o pioneirismo de que tanto já se orgulhava. Para o ato da entrega, visitantes especiais como o embaixador norte-americano e o governador do Estado haviam chegado e seriam assistidos por autoridades, empresários e convidados da sociedade local. Tratava-se da inauguração de um centro binacional reunindo o Brasil e os Estados Unidos, algo que até então fôra privilégio reservado às capitais. A aspiração de uma valorosa cidade do interior iria tornar-se real graças ao denodo de um punhado de seus filhos, entre os quais estavam o dr. Francisco Álvares de Assis e o prof. Manoel Barbosa Leite Filho.
Dava-se a partida para um novo episódio de Juiz de Fora que viria cobrir-se de nobres e fecundas realizações na proposta de uma escola de língua inglesa que carrearia as mais modernas técnicas e metodologia no ensino. Nessa visão, agregou-se a ela biblioteca com farto e seleto acervo bilingüe em cujo espaço mostravam-se a arte e a cultura dos dois países. No salão de festas, sucediam-se alegres acontecimentos sociais e representações teatrais e, em conjunto com clubes e outras associações, eram promovidos bailes e programados recitais ou apresentações de orquestras.
Revelaram-se a real força e o motivo precípuo da novel entidade com a explosão do sucesso dos cursos de inglês que cresciam resolutamente em volume e procura, impulsionados pelos bem elaborados projetos e sua perfeita execução no aprimoramento da aprendizagem e pelo intercâmbio internacional entre discentes e docentes. Como não podia deixar de ocorrer, a repercussão dos êxitos obtidos acabou por conquistar para o centro, a posição de vanguarda dentro do país, que até hoje ocupa.
Um dos primeiros testemunhos de seu célere prestígio foi o reconhecimento do ACBEU como órgão de utilidade pública por ato da Câmara Municipal, imediatamente seguido por Lei passada pelo Poder Legislativo de Minas Gerais que elevou a distinção até a esfera estadual. Em nível federal, sua importância pôde ser inferida na designação para colaborar com a CADES, órgão criado pelo Ministério da Educação e Cultura para a preparação, aperfeiçoamento e habilitação de professores do idioma inglês nos cursos secundários. A honrosa tarefa foi desempenhada com proficiência até a implantação da Universidade Federal de Juiz de Fora que, por sua vez, quando o CEPE deliberou considerar como créditos opcionais os cursos de línguas cumpridos em centro binacionais idôneos, equiparando-os às suas próprias disciplinas, destacou nesse feito a inclusão da ACBEU. Na mesma sinopse vale lembrar a honrosa oportunidade da entidade em poder ceder salas de aulas à Faculdade de Filosofia e Letras em período anterior à sua incorporação à UFJF.
Nos concursos e exames fundamentados na língua inglesa, alunos e ex-alunos jamais falharam em honrar a escola binacional em que se prepararam e confiaram. A propósito dessa verdade, nos anais da Universidade de Pennsylvania consta a transcrição do fato de haver sido um docente da Associação Cultural Brasil-Estados Unidos de Juiz de Fora o primeiro estrangeiro a alcançar a titularidade em Civilização Americana. E são muitos aqueles que têm chegado ao êxito por via do inglês ensinado pela A.C.B.E.U., que talvez por essa razão, tornou-se detentora da primazia em matrículas na cidade , ostentando um número superior ao da soma de todos os seus congêneres. Contando com 2.500 alunos, demonstra que 1 em cada 200 habitantes de Juiz de Fora freqüenta os cursos mantidos pela Associação, fazendo a cidade sede do maior centro binacional do país, em proporção à população. Também respondem pela excepcional presença discente jovens das comunidades vizinhas que não abrem mão de compartilhar do futuro que o curso pavimenta para seus estudantes, contando-se às dezenas as localidades de onde provêem.
O coração da Associação Cultural Brasil-Estados Unidos é vivificado por suas centenas de meninos e adolescentes transbordando vida, alegria e esperança, junto a universitários joviais mas responsáveis, cruzando nos corredores com um corpo amadurecido de colegas mais sóbrios que, podem ser seus irmãos, pais ou tios. São os profissionais, os religiosos, os militares e os políticos que também estão conosco como alunos. Finalmente, mas não menos importante, está a presença da mulher, que resplande a vida da A.C.B.E.U. como menina, moça, esposa ou mãe.
Os adultos que fazem seu retorno às carteiras escolares, atraídos pelas vantagens desejáveis que são oferecidas ou empurrados pela urgência da atualidade, não escondem preferência pelo tradicional centro, caso semelhante ocorrendo com as instituições, sindicatos, empresas ou outros estabelecimentos que, desejando celebrar convênios em benefício de seus associados, servidores ou dependentes, exigem idoneidade, experiência e confiabilidade.
Atualmente, a Associação encontra-se em fase de construção de mais uma sede, no intuito de ampliar o teto sob o qual mais de dois milhares de juizforanos trabalham e estudam, convivem e se respeitam, recebem e ajudam-se mutuamente como uma grande família que não conhece diferenças de credo, cor ou condição, sendo a única distinção praticada aquela que se preocupa com um ensino correto e condizente com o nível de instrução ou com os objetivos visados.
Eis aqui um retrato breve e singelo do que veio a ser a história exuberante da promissora agremiação binacional que há quase meio século teve a ventura de vir à luz no berço de Juiz de Fora. Hoje, amadurecida pelo trabalho e tradição, mas ainda jovem e sonhadora pelo que tem a oferecer, a A.C.B.E.U., de mãos dadas com a cidade centenária, entra triunfalmente no terceiro milênio pelas portas do século vinte e um. E você, que já é parte dela, também estará lá, no seu tão esperado encontro com o futuro.